expr:content='data:blog.isMobile ? "width=device-width,initial-scale=1.0,minimum-scale=1.0,maximum-scale=1.0" : "width=1100"' name='viewport'/> Casa das Letras: Texto para Interpretação - Palavras. Rubem Braga. Fundamental II

sexta-feira, 3 de abril de 2026

Texto para Interpretação - Palavras. Rubem Braga. Fundamental II



 A palavra 

Tanto que tenho falado, tanto que tenho escrito – como não imaginar que, sem querer, feri alguém? Às vezes sinto, numa pessoa que acabo de conhecer, uma hostilidade surda, ou uma reticência de mágoas. Imprudente ofício é este, de viver em voz alta.

Às vezes, também a gente tem o consolo de saber que alguma coisa que se disse por acaso ajudou alguém a se reconciliar consigo mesmo ou com a sua vida de cada dia; a sonhar um pouco, a sentir uma vontade de fazer alguma coisa boa.

Agora sei que outro dia eu disse uma palavra que fez bem a alguém. Nunca saberei que palavra foi; deve ter sido alguma frase espontânea e distraída que eu disse com naturalidade porque senti no momento – e depois esqueci.

Tenho uma amiga que certa vez ganhou um canário, e o canário não cantava. Deram-lhe receitas para fazer o canário cantar; que falasse com ele, cantarolasse, batesse alguma coisa ao piano; que pusesse a gaiola perto quando trabalhasse em sua máquina de costura; que arranjasse para lhe fazer companhia, algum tempo, outro canário cantador; até mesmo que ligasse o rádio um pouco alto durante uma transmissão de jogo de futebol...mas o canário não cantava.

Um dia a minha amiga estava sozinha em casa, distraída, e assobiou uma pequena frase melódica de Beethoven – e o canário começou a cantar alegremente. Haveria alguma secreta ligação entre a alma do velho artista morto e o pequeno pássaro cor de ouro?

Alguma coisa que eu disse distraído – talvez palavras de algum poeta antigo – foi despertar melodias esquecidas dentro da alma de alguém. Foi como se a gente soubesse que de repente, num reino muito distante, uma princesa muito triste tivesse sorrido. E isso fizesse bem ao coração do povo; iluminasse um pouco as suas pobres choupanas e as suas remotas esperanças.

(Rubem Braga)


1. Considerando os dois primeiros parágrafos como a introdução do assunto do texto, que título você escolheria para a mesma? 

a) A essência das palavras. 

b) Os efeitos das palavras. 

c) Palavras que estimulam. 

d) Palavras que ferem.


2. A musicalidade do canário foi despertada por: 

a) Assobio desinteressado da moça. 

b) Companhia de outras aves. 

c) Exposição sistemática a músicas eruditas. 

d) Treinamento com assobiadores. 


3. O cronista define seu ofício como o de “viver em voz alta”. Isso significa que, para ele, escrever crônicas é: 

a) Escrever apenas sobre suas experiências. 

b) Escrever tudo o que pensa e sente. 

c) Ser conhecido por todos. 

d) Ser reconhecido por todos. 


4. No fragmento: ...“numa pessoa que acabo de conhecer”..., o pronome relativo grifado tem a função de: 

a) Aposto 

b) Objeto direto 

c) Objeto indireto 

d) Predicativo do sujeito 


5. Em “Você foi ao cinema e ela, ao teatro”, a vírgula foi empregada para: 

a) Indicar omissão de palavra. 

b) Separar orações coordenadas. 

c) Separar orações subordinadas. 

d) Separar termos repetidos. 


6. Assinale a alternativa em que há ERRO na classificação do pronome: 

a) Alguém entrou no quintal e furtou as orquídeas. (indefinido) 

b) Convidei-o para assistir ao jogo de futebol. (pessoal oblíquo) 

c) Esta caneta que está comigo é vermelha. (possessivo)

 d) Feliz o pai cujos filhos são obedientes. (relativo) 


7. Tendo em vista as regras de concordância da norma padrão, assinale a alternativa INCORRETA. 

a) És tu que escreves esses lindos poemas? 

b) Devem haver melhores perspectivas em relação à economia brasileira. 

c) Viajar e passear constitui seu ideal de vida. 

d) Os manifestantes fizeram bastantes críticas ao governo.

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